Na vasta tapeçaria da história econômica, o ano de 1883 representa uma simbólica "passagem de bastão". Foi o ano em que Karl Marx, o soturno arquiteto da agitação revolucionária, exalou seu último suspiro, e John Maynard Keynes, o homem que se tornaria o salvador da ordem capitalista, nasceu. Essa coincidência marca a transição de uma obsessão do século XIX pelo colapso inevitável do sistema para uma crença do século XX em sua capacidade de ser tecnicamente salvo.
O Revolucionário versus o Diletante
Enquanto Marx e Engels viam as contradições internas do capitalismo como uma doença terminal destinada a incitar o proletariado à revolução, Keynes abordava a economia com a despreocupação de um tradicionalista da alta cultura. Membro do vanguardista Grupo de Bloomsbury, Keynes autodenominava-se diletante cujo interesse não estava na agitação socialista, como seu contemporâneo George Bernard Shaw, mas na manutenção pragmática da pirâmide social existente.
A Lógica Abstrusa como Bote Salva-Vidas
A Revolução Keynesiana rompeu com a "Velha Guarda" de Adam Smith, David Ricardo, Malthus, e John Stuart Mill. Enquanto os antigos acreditavam que o mercado era um organismo autorregulável, Keynes utilizou lógica abstrusa e teorias recônditas para provar que o sistema era apenas mecanicamente falho. Para Keynes, a Grande Depressão não era o colapso final profetizado por Marx; era um conjunto de "canos entupidos" no fluxo circular da renda — um mau funcionamento técnico que poderia ser reparado pelo Estado para garantir Capitalismo Viável.